sexta-feira, 12 de setembro de 2014

MONTENEGRO - RS (São João do Montenegro)


          Após o descobrimento do Brasil, a região de Montenegro foi desbravada por portugueses e espanhóis. O rio Caí foi uma importante rota para os mercadores espanhóis, que subiam o rio da Prata, bem como para os portugueses, vindos da Lagoa dos Patos pelo rio Jacuí.
          Os primeiros a instalarem-se no município, à margem direita do rio Caí, entre 1730 e 1740, foram os portugueses: Antônio de Sousa Fernando, Bartolomeu Gonçalves de Magalhães e Antônio José Machado de Araújo e suas famílias. Após vieram os paulistas, os imigrantes alemães, italianos e os franceses.
          Em 1785 foi construída a primeira casa de pedras na sede, era coberta por telhas (raras à época), cujo proprietário foi Estêvão José Simas. Foi edificada por José de Araújo Vilela e mais tarde habitada por Tristão José Fagundes, genro de Simas e fundador da cidade de Montenegro.
         Em 1824 chegou o primeiro grupo de imigrantes alemães, num total de 126 pessoas e gradativamente vieram mais imigrantes de Porto Alegre, em direção às novas colônias.
       No século XIX a Cervejaria Jahn começou as suas atividades no município e na metade do século XX tornou-se uma das maiores cervejarias do Estado. Em 1873, antes da vinda dos imigrantes italianos à região serrana, Montenegro já contava com diversos estabelecimentos comerciais.(*1)
        Em 31 de março de 1938, o município foi dividido em onze distritos: Montenegro, Maratá, Harmonia, Barão, Bom Princípio, Estação São Salvador (Salvador do Sul), São Vendelino, Tupandi, Brochier, Poço das Antas e Pareci Novo.
Em 1948 instalou-se em Montenegro a TANAC, uma das maiores extratoras de tanino do mundo, passando a produzir extratos vegetais de acácia negra no município. A cidade também abriga a “ECOCÍTRUS”, uma  cooperativa de sucos cítricos orgânicos.
O município ainda conserva a casa da atafona,(*2) um prédio histórico, onde os imigrantes alemães produziam a farinha de mandioca. A infraestrutura do Cais do Porto foi remodelada e no local a população pratica suas caminhadas. O rio Caí, um dos cartões postais da cidade, também é apreciado pelos desportistas, que praticam Jet-ski e canoagem.(*3)
Na entrada da cidade, ao longe se avista o morro São João. Para acessá-lo, uma estrada foi aberta até os seus dois mirantes, para apreciar sua vista deslumbrante. Segundo a lenda, o morro é um gigante adormecido.
          O Hino de Montenegro, composto por Osvaldo Lopes, em sua última estrofe, traduz algumas características da cidade.(*4)
          Montenegro emancipou-se de Triunfo no dia 05 de maio de 1873 e a instalação da Vila ocorreu em 04 de agosto de 1873. O seu primeiro  intendente foi José Rodrigues da Rosa (1873) e seus sucessores foram: Luiz Ignácio de Oliveira (1891), Antônio Maria Vargas (1896) e Cel. José Álvaro Pereira de Moraes (1904).
        A Comarca de Montenegro foi instalada no dia 18 de julho de 1889 e o primeiro Juiz de Direito foi o Dr. José Manoel de Araújo e Promotor de Justiça o Dr. Luiz Pinheiro da Costa.
          O primeiro bispo da catedral foi Dom Paulo Antonio de Conto, natural de Encantado/RS, assumiu a Diocese no dia 06 de setembro de 2008, data da instalação da Catedral .
Anualmente o Município comemora a Festa do Peixe, Artes e Artesanato, um evento de variada gastronomia e exposição de artesanato, que é realizado no Cais do Porto das Laranjeiras, junto ao Clube de Regatas, Caça e Pesca Cruzeiro do Sul. 

(*1)CAMPOS NETTO,p.352. Em 1874 Montenegro contava com: Loja de Fazendas e Taberna de: Antônio Rodrigues Vianna, Pedro Jung; Sapataria de Pedro Muller; Padaria de: João Nicolau Tavares Leiria, Augusto Rode; Padaria, Loja de Fazendas e Depósito de Secos de Theophilo Saraiva da Fonseca; Loja de Marceneiro de: Pedro Fischer, Adão Wolff; Líquido e Fazendas de: José Ledur, Jacob Reinher, Therêncio Frederico Hamburgo; Líquidos e Secos de Miguel Vaizhan; Secos e Molhados de: João Luiz Moreira, Jorge Fauth; Fazendas e Bailantes de Nicolau Finger; Bailes e Secos e Molhados de: Pedro Kum, Mathias Klein; Loja de Fazendas e Líquidos Espirituosos de Francisco José Jahn; Líquidos Espirituosos de Joaquim José da Silva; Escritório de José Inácio de Souza Oliveira; Atafona de José Gonçalves do Matto; Lumbilheiro de Pedro Ketz & Irmão; Olaria e Loja de Fazendas de José Inácio de Oliveira; Olaria de Francisco da Silva Coutinho; Engenho de Aguardente de Florindo Gomes de Souza; Engenho de Serra de: Henrique Kauer, Jacob Wolff; Engenho, Moinho, Líquidos e Fazendas de João Franz Filho; Moinho de Moer Grão de José Pedro Rodrigues; Curtume de João Bervan; Ferrarias de: Jacob Trein, Felippe Leff, Guilherme Schuller; Fábrica de Chapéus de Marcos Dumpierres.
(*2) CAMPOS NETTO, José Cândido de. MONTENEGRO. Reeditado em 2014. Montenegro: Irmãos Gehlen, 1924, p 371: Em 1913 o município de Montenegro tinha 190 atafonas, 184 casas comerciais, 16 pedreiras, 54 serrarias, 3 farmácias, 45 alambiques, 1 armarinho, 36 alfaiatarias, 44 açougues, 11 barbearias, 25 lojas diversas, 58 moinhos, 7 barcos, 3 carros de praça, 165 carretas de quatro rodas, 30 carretas de duas rodas, 2 carroças, 1 correio, 3 confeitarias, 40 carpintarias, 17 curtumes, 4 agências, 4 botequins, 15 dentistas, 45 ferrarias e 198 fábricas diversas.
(*3) Montenegro, disponível em:www.montenegro.rs.gov.br/consultado em 21/07/2014.
(*4) Hino Montenegro, composto em 1971: [...] Na moldura das belas paisagens /Sobressai com um belo perfil / Este quadro de sua cultura! /  Acaciais, laranjais, frutos mil.
Rosa Maria B. Kaspary
Pesquisadora




Caxias do Sul - RS (Campo dos Bugres - Santa Tereza)

   
Após a povoação da primeira e da segunda légua (de Farroupilha), iniciaram-se as demarcações dos lotes das terceira e quarta léguas do Campo dos Bugres (Caxias do Sul). Todavia, ainda no começo das medições das 3ª e 4ª Léguas, um ano após a chegada dos primeiros imigrantes, “o governo fez construir um barracão para os imigrantes chegados a Nova Milano, porém uma leva de imigrantes tendo ali chegado, sem encontrar alojamento, regressou a Porto Alegre e se encaminhou para a Argentina”.(FORTINI,p.25)
Entrementes, veio outra turma, de cerca de 600 imigrantes tiroleses, vênetos e lombardos, que ficou do outro lado de Nova Palmira, no morro da Torre, também chamado de Morro Caxias (Galópolis), aguardando a liberação dos lotes.
Enquanto não fossem medidas as novas colônias, ficaram aquelas quase  600 pessoas acampadas ao relento, na base do Morro Cristal, então chamado Morro da Torre em Nova Palmira. Ali permaneceram 6 meses, abastecendo-se na casa do colono alemão Germano Noll. (CHIARELLO,p.23)Foram finalmente instalados na terceira e quarta léguas dia 28 de junho de 1876.( BAREA ,p.62)
O transporte terrestre dos imigrantes e de suas bagagens era feito sob contrato, por tropeiros particulares. O Inspetor Manoel Maria observou em seu relatório, que na maioria das vezes os imigrantes seguiam a pé: “Continuam a ser transportados, poucas vezes, em carretas e alguns em animais quase xucros, de maneira que grande parte faz a pé essas longas travessias”.(*1)
          [...]
Em 20 de junho de 1890, Caxias do Sul foi elevada à categoria de município somando o antigo território ao da Colônia Sertorina (Forqueta). Em 17 de maio de 1924 perdeu parte do seu antigo território, em face da emancipação de Nova Trento (Flores da Cunha), que ficou com os territórios de Nova Pádua e Otávio Rocha. Em 11 de dezembro de 1934, Nova Vicenza (Farroupilha) emancipou-se de Caxias, levando junto a 1ª légua, Nova Milano(*6) e a 2ª légua, Linha Palmeiro (situada entre Bento e Caxias, atual Caravaggio) e Vila Jansen. Em 1890, o território restante de Caxias foi dividido em Distritos: 1º Distrito sede Caxias; 2º São Marcos; 3º Galópolis; 4º Ana Rech; 5º Vila Seca; 6º Santa Lúcia do Piaí; 7º Fazenda Souza; 8º Forqueta; 9º Criúva e 10º Vila Oliva.
[...]
Em 1910, com a inauguração da linha férrea, que ligava Caxias a Porto Alegre, a cidade marcou o fim da sua dependência econômica com São Sebastião do Caí, momento em que começou o seu progressivo desenvolvimento comercial e industrial. Iniciou com a fabricação de vinho, banha e cultivo de trigo, tendo Porto Alegre como principal ponto de distribuição. Alguns anos depois Antônio Pierucinni, se destacou na industrialização e comercio de vinho e Abramo Eberle na fabricação de produtos metalúrgicos. Ambos abriram mercado em São Paulo.
[...]
Caxias do Sul emancipou-se de São Sebastião do Caí no dia 20 de junho de 1890. Seu primeiro intendente foi Ângelo Chitollina (1880/1882); o segundo foi  José Cândido de Campos Junior (até 1898) e o seu primeiro prefeito foi Miguel Muratore (1935/1947).
O foro da Comarca foi criado no dia  15 de janeiro de 1898 e o primeiro Juiz de Direito foi o “Dr. Armando Azambuja, que teve como sucessores, até 1907, os Drs. Manoel da Costa Barradas, Caio da Cunha Cavalcanti e José Gonçalves Ferreira Costa”.(ADAMI,p.34)
Os primeiros primeiros Bispos da Catedral de Caxias do Sul[1]: Dom José Baréa (1935-1951), natural de Nova Treviso, atual Nova Roma do Sul; Dom Benedito Zorzi (1966-1983), natural de Nova Pádua/RS; Dom Nei Paulo Moretto (1983-2011) e Dom Alessandro Carmelo Ruffinoni (2011- até os dias atuais), nasceu em Piazza Brembana(Bergamo) Itália.
A cidade recebe anualmente milhares de turistas e entre os lugares mais visitados se encontram: o Museu Municipal da Uva e do Vinho (Forqueta) Museu Casa de Pedra, Igreja São Pelegrino, Catedral Diocesana, Monumento Nacional ao Imigrante, Jardim Botânico, réplica medieval do castelo “Château Lacave” e cascata Véu de Noiva de Galópolis, o Museu com o acervo de utensílios dos antigos agricultores, arte sacra, entre outros objetos. Também são registradas inúmeras visitas  aos locais que reunem material referente a saga da imigração italiana, como: mapoteca, fototeca, pinacoteca e filmoteca.    
Caxias do Sul realiza anualmente a Feira Brasileira da Mecânica e da Automação Industrial e a Feira de Subcontratação e Inovação Industrial (Mercopar), com expositores do Brasil e exterior.
A Festa Nacional da Uva de Caxias do Sul, que ocorre bianualmente nos pavilhões da Festa da Uva, celebra a colonização italiana e desde 1931 reaviva as tradições históricas da comunidade.
(*1) Relatório do Serviços de Imigração e Colonização da Província do Rio Grande do Sul aos Ministérios e Secretarias de Estado e Negócios da Agricultura Comércio e Obras Públicas, elaborado pelo Engenheiro Manuel Maria de Carvalho, apresentado ao Império,1886, p. 14.
(*2) ADAMI, p.90:”O sítio selecionado foi o de uma clareira artificial na mata, feita pelos índios Caáguas, que aí tinham anteriormente, uma aldeia. Daí o primitivo nome do lugar que se chamou Campo dos Bugres”.
(*3) Relatório do Serviços de Imigração e Colonização da Província do Rio Grande do Sul aos Ministérios e Secretarias de Estado e Negócios da Agricultura Comércio e Obras Públicas, elaborado pelo Engenheiro Manuel Maria de Carvalho, apresentado ao Império,1878, p.114-115.
(*4) Relatório dos Serviços de Imigração e Colonização da Província do Rio Grande do Sul aos Ministérios e Secretarias de Estado e Negócios da Agricultura Comércio e Obras Públicas, elaborado pelo Engenheiro Manuel Maria de Carvalho, apresentado ao Império,1886, p. 42.
(*5) Relatório dos Serviços de Imigração e Colonização da Província do Rio Grande do Sul aos Ministérios e Secretarias de Estado e Negócios da Agricultura Comércio e Obras Públicas, elaborado pelo Engenheiro Manuel Maria de Carvalho, apresentado ao Império,1886, p. 40.
A região Nordeste do Estado é berço de expressivo numero de padres, descendentes de fervorosos imigrantes italianos, bem como de bispos. Além dos supracitados: Frei Cândido Júlio Maria Bampi (Caxias), Dom Neri José Tondello (Antonio Prado), Dom Leomar Antonio Brustolin (Caxias), ordenado em 2015, entre outros.
A devoção a São Pelegrino está vinculada aos primórdios da imigração italiana e da fundação da cidade. Em 1879 a família Sartori, de Treviso, cidade italiana da região do Vêneto, chegava ao Campo dos Bugres trazendo em suas bagagens uma imagem do Santo, que foi colocada num “capitel” e após, na "Capelinha de Madeira". Em 1938, o santo foi homenageado na Igreja de Madeira, que levou o seu nome. Em 1953 foi inaugurada a Igreja Matriz com o nome de Paróquia São Pelegrino, que em seu interior abriga pinturas de Aldo Locatelli, o que, em conjunto com sua arquitetura, a torna uma das igrejas mais bonitas da região. 
(*6) Nota: Em 13 de dezembro de 1875, em Nova Milano, o Berço da Colonização Italiana do Rio Grande do Sul, foi inaugurado o Parque Centenário, em homenagem as três primeiras famílias colonizadoras. Ao lado do parque foi edificado o museu histórico contendo  as réplicas dos passaportes usados pelos primeiros imigrantes que fizeram a travessia da Itália para o Brasil: Estêvão Crippa, Luigi Radaelli e Tommaso Sperafico. O nome das capelas atendidas pelos Padres da Igreja matriz de Nova Milano são: Santo André, São José, Santos Anjos, Nossa Senhora da Salete, Menino Deus, São Roque, Caravaggeto e Linha Boêmia.
(*7) Caxias do Sul, disponível em: www.caxias.rs.gov.br/consultado em 22/07/2014. Em 2007 a indústria de Caxias do Sul contabilizava 5.872 estabelecimentos, distribuídos da seguinte forma:  material de transporte (26,86%), têxtil do vestuário e artefatos de tecidos (16,30%), produtos alimentícios, bebidas e álcool etílico (11,74%), mecânica (11,48%), química de produtos farmacêuticos, veterinários e perfumaria (9,94%) e outros (23,68%).
Rosa Maria B. Kaspary
Pesquisadora




São Sebastião do Caí - RS (Cahy) .

                               
São Sebastião do Caí emancipou-se de São Leopoldo, no dia 01 de maio de 1875, para receber as levas de imigrantes italianos, que, à época, cruzaram o Oceano Atlântico para estabelecerem-se nos fundos de Nova Palmira (Caxias e Farroupilha), devido ao seu porto ser o último atingível por “vapores”, na região do vale do Caí.
Frisa-se que, antes de 1864 São Sebastião do Caí pertencia a Porto Alegre e com a emancipação de São Leopoldo (Feitoria do Linho Cânhamo) passou a pertencer ao novo município. São Leopoldo foi fundado em 25 de julho de 1824, para recepcionar os imigrantes alemães, que passaram por Porto Alegre, navegaram pelo Rio dos Sinos até o porto das Telhas e somente 22 anos depois, no dia 12/04/1864, foi emancipado (Lei 563/64). 
[...]
Entre 1875 a 1890, o atual município de Caxias do Sul permaneceu ligado a São Sebastião do Caí. O porto do Guimarães, construído para recepcionar os imigrantes italianos, foi uma estratégia política acertada, pois do contrário os transeuntes teriam que enfrentar uma jornada de cerca de 100 quilômetros: do porto do Rio dos Sinos de São Leopoldo, ou do porto de Montenegro, até Farroupilha, ou até Caxias do Sul, uma caminhada extremamente cansativa. A grande distância também iria dificultar o transporte dos mantimentos, dos portos às colônias serranas, bem como o escoamento da safra.
Em 1906 foi concluída a obra da barragem Rio Branco, para manter o nível das águas em elevação suficiente, permitindo condições navegáveis ao longo do trecho, compreendido entre o porto do Guimarães e a capital do Estado, mesmo nos períodos de pouca água. Com a eclusa, São Sebastião do Caí tornou-se uma localidade, cheia de vida, com filas de carretas nas proximidades do porto, ocupando, por vezes, mais de uma quadra da rua, próximo aos armazéns. No porto, quatro vapores movidos à roda, rebocando lanchas e “chatas”, faziam regularmente o transporte de passageiros para a capital do estado e após, retornavam ao Guimarães.(MASSON, p. 107-108) (*1)
Em 29 de junho de 1890, o território caxiense foi desanexado de São Sebastião do Caí, que havia conservado durante 49 anos (MASSON,p.83)(*2) a mesma área territorial. Somente em 30 de junho de 1940 suas delimitações foram novamente alteradas, quando a área foi distribuída em 09 distritos, ficando no 1º Distrito a  Sede; 2º  São José do Hortêncio (emancipou-se em 20/12/1988); 3º Nova Petrópolis (emancipou-se em 07/07/1955); 4º Capela de Santana (emancipou-se em 08/12/1987); 5º Feliz (emancipou-se em 17/02/1959); 6º Santa Rita (anexado a Canoas em 1939); 7º Santa Lúcia (anexado a Caxias do Sul); 8º Portão (emancipou-se em 09/10/1963) e 9º Distrito Nova Palmira, dividido e anexado a Caxias e Feliz.(*3)
O município de Bom Princípio emancipou-se em 12 de maio de 1982 e São Vendelino em 29 de abril de 1988. Em 1959 foi criado o município de Estância Velha, que também levou uma parte de São Sebastião do Caí, bem como Carlos Barbosa, que foi criado no mesmo ano.
Em 1910, foi inaugurada a viação férrea e em 1911 a estrada Júlio de Castilhos, ligando Porto Alegre a região Norte do Estado.
Em 1912 Antônio Jacob Renner instalou a Indústria Fabril A.J.Renner no município,(*7) que muito contribuiu com o progresso da cidade.
[...]
No dia 09 de agosto de 1875, a Comarca do foro de Montenegro foi transferida para São Sebastião do Caí, com o nome de São João do Cahy e teve como primeiro Juiz de Direito o Dr. Joaquim Birnfeld. No dia 18 de julho de 1889 a sede da Comarca mudou-se a Montenegro e no dia 11 de janeiro de 1901 foi criado um foro definitivo para a Comarca de São Sebastião do Caí, que teve como primeiro Juiz de Direito o Dr. Carlos Thompson Flores e Promotor de Justiça o Dr. Epaminondas Brasileiro Ferreira; o segundo Juiz de Direito foi o Dr. Francisco de Paula Leivas Júnior, que inicialmente era substituto da Comarca de Caxias do Sul.
O primeiro intendente de São Sebastião do Caí(*8) foi  Paulino Inácio Teixeira e somente em 1930 foi “nomeado” o primeiro prefeito, Senhor Alberto Barbosa. Em 15 de janeiro de 1936 o povo foi às urnas, elegendo como prefeito o Dr. Egídio Michaelsen.
A excelente localização do município, próximo ao rio Caí e a RS 122, sempre favoreceu o seu desenvolvimento. Nos dias atuais abriga as empresas: Conservas Oderich, Agrosul Agroavícola Industrial, Calçados Usaflex, Delta Frio Indústria de Refrigeração, SGS Polímeros, Leitz Ferramentas para Madeiras e outras.
São Sebastião do Caí comemora anualmente a Festa da Bergamota, no Parque Centenário da cidade.      

(*1) MASSON, p.107-108: Antes da construção da barragem, em épocas de águas baixas, o ponto terminal da linha de navegação do Caí, para os “vapores”, era Maratá, porto na barra do arroio do mesmo nome, à margem direita do rio, um pouco acima da cidade de Montenegro. Dali os passageiros eram transportados para a vila de São Sebastião do Caí em lanchinhas movidas a vapor. 
(*2) MASSON, p. 83: Masson observa que, ao dizermos que o município conservou durante 49 anos a mesma área territorial, significa dizer que “as divisas municipais não foram oficialmente alteradas no referido período. Mas na realidade, a área do município sofreu alterações em diversas épocas, pois as cidades vizinhas de São Leopoldo, Taquara, São Francisco de Paula e Caxias aos poucos se apoderaram de boas porções de território”.   
(*3) S.S.doCaí, disponível em:http://www.sscai.famurs.com.br/omunicipio,consultado em 16/06/14.
(*4) S.S.doCaí, disponível em:www.sscai.famurs.com.br/omunicipio.htmconsultado em 16/06/14.Em 31/03/1938 Montenegro foi dividido em onze distritos: Montenegro, Maratá, Harmonia, Barão, Bom Princípio, Estação São Salvador (Salvador do Sul), São Vendelino, Tupandi, Brochier, Poço das Antas e Pareci Novo.
(*5) Adolfo Oderich, foi a primeira empresa brasileira que dominou as técnicas de conservação de carnes e vegetais enlatados.
(*6) MASSON, p. 28-36-39: As companhias caienses de navegação não possuíam gasolinas, mas sim, vapores, entre os quais, a título de curiosidade, os seguintes: Rio Branco, Maratá, Horizonte, Otto, Caxias e Salvador, os três últimos pertencentes à União Fluvial do Caí Ltda.
(*7) PELLANDA, Ernesto. Colonização Germânica no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Globo, 1925, p.144-146: em 1890 São Sebastião do Caí contava com 560 lotes cultivados, 24 tecelagens, 5 moinhos, 4 engenhos, 7 armazéns, 6 marcenarias, 4 alfaiatarias, 4 ferrarias, 1 curtume e 7 fábricas diversas.
(*8) MASSON, p. 42: Em 1938 o município de São Sebastião do Caí se dividia em oito distritos, cujas denominações foram fixadas pelo decreto-lei nº 7643/1938: São Sebastião do Caí, São José do Hortêncio, Nova Petrópolis, Capela de Sant’Anna, Feliz, Santa Lúcia do Piaí, Portão e Nova Palmira.
Rosa Maria B. Kaspary
Pesquisadora


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Farroupilha - RS (Nova Vicenza)

      A primeira sede administrativa da Colônia Caxias foi Nova Milano e a segunda, o Distrito de Nova Vicenza (Farroupilha) e em 1918, em face ao acentuado crescimento, tornou-se a sede administrativa do 3º Distrito de Caxias. Em 1927 Farroupilha passou a ser o 2º distrito de Caxias. Em 11 de dezembro de 1934 emancipou-se, sendo-lhe atribuído esse nome em homenagem ao Centenário da Revolução Farroupilha, comemorado no ano seguinte.(CHIARELLO, p. 23) 
      A Linha Boêmia é a localidade mais antiga do município, foi fundada e colonizada, a partir de 1872, por um grupo de imigrantes europeus, alguns da Alemanha e maioria vindos da Bohêmia, da Tchecoslováquia (atual República Tcheca), Estado situado na Europa Central, entre a Alemanha, Áustria e Polônia, núcleo formado pelas famílias: Lorenz, Dressler, Candier, Dietrich,* Hildebrandt, Fell, Shlomp, Saischek, Saustchek, Hummer e Weis.** Dessa forma, haviam preparado o caminho dos pioneiros imigrantes italianos, que seguiram até o “Barracone”, ou ”Nuova Milão”. Anos após, os italianos migraram para essa região mais baixa ficando a Linha Boêmia quase integralmente povoada por milaneses, motivo pelo qual passou a pertencer ao território de Farroupilha.** 
       Além das vinícolas existentes, foram instalados no município estabelecimentos comerciais, que carregavam em suas razões sociais os sobrenomes dos pioneiros imigrantes da região, entre eles: Indústria e Comércio Zanella, Casas Comerciais: Finn, Bartelle, Farinon, Bombardelli, Lazari; Indústria de Móveis Perottoni, Mercado Pedó, Agropecuária Fantton, Liceu Musical Palestrina (Beltrame), Lojas Colombo (sede), Sapataria Bortolli, Grupo Ruaro, Restaurante Butelli, Grendene (Bartelle), Trombini, Lancheria Pegoraro, Studio Dal Monte, Hotel Roth, Malharias: Farroupilha (Fole), Francischini, Panis, Nídia (Fuhr); Móveis Dorigon, Oficina Bartelle, Ferragem Weissheimer e outros estabelecimentos situados próximos à estrada Júlio de Castilhos, que corta o centro da cidade.***
       Entre 1910 e 1920, o farmacêutico Dionísio Cibelli inaugurou sua pequena farmácia na Vila Nova Vicenza (Farroupilha). Alguns anos depois, o médico Dr. Jayme Romeo Rössler instalou no mesmo local a primeira “Casa de Saúde” de Farroupilha, com o nome de Hospital Rössler, onde exerceu sua profissão durante décadas. Os pontos turísticos mais visitados do município são: Cascata do Salto Ventoso, Parque do Centenário, Santuário de Caravaggio, Parque dos Pinheiros, Museu Casa de Pedra e o Vale Trentino. 
       Com o passar dos anos a cidade espalhou-se para o lado de Caravaggio (Linha Palmeiro) e “Volta Grande”. Inúmeros centros comerciais e indústrias foram instalados por toda parte, merecendo destaque as malharias, indústrias de calçados e indústrias moveleiras.
       Farroupilha emancipou-se de Caxias do Sul no dia 11 de dezembro de 1934. Os primeiros prefeitos do município foram: Armando Antonello (nomeado em 1934/1937); José Baumgartner, eleito pelo povo (1947/1951); Ângelo Bartelle (1951/1951); Jaime Romeu Rössler (1951/1955); Giacomo Valentim Luchese (1956/1959); José Francischini (1959/1959); João Grendene (1960/1963); Arno Domingos Busetti 1964/1969); Avelino Maggioni (1969/1973), (1977/1983) e (1997/2000).
        O foro da Comarca de Farroupilha foi criado no dia 12 de agosto de 1966; o primeiro Juiz de Direito foi o Dr. Waldocyr Silveira Viegas e o primeiro Promotor de Justiça o Dr. João Pedro Cavalli. 
     Além da plantação de uvas e produção de vinho, o município passou a cultivar kiwi e bianualmente realiza a Festa Nacional do Kiwi, nos pavilhões da Fenakiwi. A cidade também é conhecida como a Capital Nacional da Malha.
* Meus bisavós maternos, Joseph Kronitzky e Maria Dietrich (ela, filha de Agostinho Dietrich e Antônia Tiatton Rotta), casaram-se na Igreja de Feliz-RS., conforme certidão de casamento extraída do livro 1, fl .36, de 11/09/1883. Fonte: Arquivo Histórico da Cúria Metropolitana de Porto Alegre AHCHPA. 
** JornalFarroupilhawww.jornalfarroupilha.com.br/noticia.=2984/edição 28.11.2008/consultado em 13/07/2014. 
 *** Farroupilha, disponível em: www.Farroupilha.rs.gov.br/consultado em 22/07/2014.
Rosa Maria B. Kaspary
Pesquisadora e poetisa

Feliz – RS (Santa Catarina da Feliz)

    
A “colônia” de Feliz foi fundada em 1846, em parte pelo governo imperial e em parte por particulares, com os seguintes locais: Bom Fim, Forromeco, São Pedro, Nova Palmira, Picada Cará, Linha Temerária, Linha Cristina e Sebastol. Dois anos após foi fundada a “colônia” de Caí, que compreendia: Caí, Escadinhas e parte de Arroio Bonito e Vigia.( MASSON, p.87)
Em 1890, ano da emancipação de Caxias do Sul, Feliz era um Distrito de São Sebastião do Caí, que tinha armazéns, cinema Noll, salões de baile, beneficiadora de leite Bennemann e outros. Fazia a cobrança de pedágio no “passo da esperança” e a partir do ano de 1900 iniciou-se a cobrança de pedágio pela passagem de veículos na ponte de ferro; as arrecadações eram remetidas aos cofres do município de São Sebastião do Caí. Em 1893 foi fundada a Cervejaria e Bebidas Ruschel, no distrito de Feliz..
Segundo Masson, em 1940 Feliz sinalizava perspectivas de progresso  (pertenceu a São Sebastião do Caí até 1959):
“Feliz, sede do distrito mais populoso do município é um dos mais ricos. Existe no lugar um bom hotel. A luz é elétrica. O rio Caí passa pela parte central da vila, onde há um excelente balneário. O Dr. Schlater (filho), formado pela Faculdade de Medicina de Porto Alegre, mantem na vila um hospital particular”. (MASSON,p.39-40)
Hodiernamente o município é composto pelas localidades de Escadinhas, São Roque, Arroio Feliz, Bom Fim, Vale do Lobo, Roncador, Coqueiral, Bananal, Morro das Batatas (subida), Matiel, Vale do Hermes, Roseiral, Vila Rica, Picão e Canto do Rio. O dialeto da língua falada no interior do município é o Riograndenser Hunsrückisch, originário e falado na região de Hunsrück, do sudoeste da Alemanha.
Em 1998 a cidade ficou nacionalmente conhecida como “a cidade de melhor qualidade de vida do Brasil”. Foi a primeira colocada no “ranking” dos municípios brasileiros, com maior índice de desenvolvimento humano (IDH) e pela primeira vez na história o Brasil integrou o grupo dos países com alto IDH, ocupando o 62º lugar no “ranking” mundial. (Feliz,disponível em: http://www.feliz.rs.gov.br/consultado em18/07/2014)
Atualmente o município conta com uma cervejaria, a Eisenbrück de Feliz,  fundada em 2007 por três antigos funcionários da Antártica. O nome da empresa é uma homenagem à cidade, seus colonizadores e à ponte de ferro.
A cidade é um verdadeiro cartão postal, no centro as edificações em estilo enxaimel embelezam: os órgãos públicos, a SOCEF e os Bancos. Os locais mais visitados pelos turistas são: o Parque Municipal, a ponte de ferro da Bélgica, o Museu Municipal, igreja e a praça. Merecem destaque especial as bandas musicais e o grupo de danças folclóricas alemãs. 
Em 17 de fevereiro de 1959 o município de Feliz  emancipou-se de São Sebastião do Caí e elegeu o seu primeiro prefeito: Kurt Walter Graebin e vice-prefeito: Adalberto Weissheimer.
O Foro da Comarca de Feliz foi criado no dia 21 de dezembro de 2000 e a primeira Juíza de Direito foi a Drª Marisa Gatelli e Promotor de Justiça o Dr. Rafael Russomanno Gonçalves.
A cidade realiza anualmente a Festa Nacional do Chopp, que é promovida pela Associação Cultural e Esportiva Feliz – SOCEF, uma festa inspirada na Oktoberfest de Munique da Baviera (Alemanha), idealizada por Victor Ruschel. O evento visa valorizar a cultura germânica. 
Nos anos pares a cidade comemora a Festa Nacional da Amora, Morango e Chantilly, no Parque Municipal da cidade.
Rosa Maria B. Kaspary
Pesquisadora, poetisa e advogada

                



Bom Princípio RS - (Winterchneiss)


Bom Princípio foi desafixado de Montenegro e anexado a São Sebastião do Caí, em 1890. O seu primeiro estabelecimento comercial foi o armazém Selbach, inaugurado em 1858:“[...] a venda de Jacó Filipe Selbach, recém-aberta e única da redondeza”.(GANSWEIDT,p.18) Em 1830 também havia uma serralheria na região, localizada às margens do arroio Forromeco, entre os municípios de São Sebastião do Caí e Bom Princípio, pertencente aos irmãos franceses, imigrantes Ther e Ville. (MABILDE, p.187)
[...]
A prova dessa religiosidade foi registrada em 1873, por Campos Netto, quando o Padre Michael Kellner** era vigário da paróquia de Montenegro e atendia a Capela Nossa Senhora da Purificação de Bom Princípio. Na ocasião, foi realizada a crisma das crianças pelo Bispo de Porto Alegre, Dom Sebastião Dias Laranjeira. No início da solenidade uma tropa de mais de sessenta cavaleiros conduziu o bispo até a capela, com a luz dos archotes, para a celebração da missa solene, que foi acompanhada pelo coral da comunidade.
A cavalgada era precedida de uma banda de músicos, que ao mesmo tempo que guiavam os seus cavalos, tocavam sobre instrumentos diversos as mais belas peças. Ao chegar perto da igreja, que de longe parecia toda em fogo, os nossos ouvidos foram atroados pelo estampido de uma peça de artilharia sem carreta que os mancebos da colônia carregavam a tiros repetidos, os quais repercutiram pelos bosques e montanhas vizinhas com os de um numeroso parque.(CAMPOS NETTO, p.339)
Os primeiros subintendentes (subprefeitos) do 5º Distrito de Bom Princípio, de 1897 a 1924, foram: Júlio Rodrigues da Fonseca (1897/1904); Miguel Neis (1904/1905); Carlos Paulo Schneider (1905/1905); Christiano Selbach (1905/1907); Eugênio Isidoro Carrard (1907/1921) e Júlio Antônio Raymundo Hartmann (1921/1924). (CAMPOS NETTO, p.452)
Em 12 de maio de 1982 o município emancipou-se de São Sebastião do Caí e teve como primeiro prefeito José Hilário Junges e vice-prefeito José Bertoldo Ledur.
A cidade foi nomeada a “Capital dos Padres”,*** terra natal do Cardeal Dom Alfredo Vicente Scherer,**** primeiro Cardeal na história da Igreja do Rio Grande do Sul.
Bom Princípio comemora anualmente a Festa Nacional do Moranguinho, no morangão do Parque Municipal da cidade e a festa de João Vianei, no seminário da cidade.
* Bom Princípio disponívelem: http://www.bomprincipio.rs.gov.br/  consultado em 16/07/2014.

*** No vale do Caí nasceram os Bispos católicos: Dom Cláudio Hummes (Montenegro), Dom Jacinto Bergmann (Alto Feliz), Dom Remídio José Bohn (Feliz), Dom Zeno Hastenteufel (Montenegro), Dom José Mário Ströeher (Feliz), Dom Jacinto Inácio Flach (Bom Princípio), Dom Sinésio Bohn (Montenegro) No vale do Caí também nasceram os padres das famílias: Lunkes (Tupandi), Ledur (gêmeos de Bom Princípio), Selbach, Zimmer, Reiter, Bergmann, Jotz, Scherer, Mohr, Flach, Weber, Schmidt, Wartha, Caspary, Rech, Recktenwald, Juchem e outros. 
**** Nota: O Cardeal Dom Alfredo Vicente Scherer nasceu em Santa Teresinha - Bom Princípio, era filho de Pedro Scherer e Ana Oppermann Scherer.   
Rosa Maria B. Kaspary
Pesquisadora, poetisa e advogada


São Vendelino – RS (Santa Maria da Soledade)


Em 1857, a sociedade Montravel, Silveiro & Cia. fundou às margens do arroio Forromeco, em terras cedidas pelo governo geral, a colônia de Santa Maria da Soledade (São Vendelino) e as terras dos demais distritos: Barão, Carlos Barbosa e Harmonia, foram divididas entre três sócios.
Em 1857, a poetisa e escritora Madame Marie Barbe Antoinette Rutgeers Van Langendonck, natural da Bélgica, veio ao Brasil, junto com seus dois filhos, indo morar em São Vendelino. O filho mais velho havia sido contratado para medir os lotes da colônia e a madame acompanhou a família, cheia de esperanças, pois viria a ser proprietaria de uma floresta virgem, com onças, leões e cobras. Em 1860 retornou à Europa. Na França, escreveu um livro narrando as emoções vividas no Rio Grande do Sul.( LANGENDONCK,p.114)*
Ainda em 1857, sob a direção de Eugênio de la Rue foi fundada a colônia da Piedade.(PELLANDA,p.122)** Era o mesmo diretor que em 1861 dirigia a fundação de São Vendelino(PELLANDA ,p.123)*** e Schweizerthal. (PELLANDA ,p.122-123)
Em 02 de maio de 1875 o Estado encampou a colônia, que era dividida em 4 Distritos: Silveiro, Barcellos, Coelho e Montravel, passando as terras novamente ao domínio do governo imperial. À época, a colônia contava com 2.034 habitantes, dos quais 1.043 eram brasileiros, 36 franceses, 131 holandeses, 16 belgas, 746 alemães, 14 italianos e 48 suíços.(CAMPOS NETTO, p.53 e 105)
Consoante Pellanda, a colônia encampada, com suas divisas: ao Sul, com o arroio Santa Clara (Distrito Silveiro); arroio Forromeco e fundos de Picada Feliz (Distrito Barcellos); Distrito Coelho ao Norte; e Distrito Montravel (São Vendelino), se encontrava dividida em 340 lotes, somados aos 68 lotes do território fundos de Nova Palmira (com 690 habitantes), totalizava 408 lotes, com uma população de 2.724 habitantes, predominando sempre o elemento germânico e seus descendentes, somando 1.827 católicos e 897 protestantes.(PELLANDA ,p.129)
Conforme Campos Netto, no ano de 1867, o distrito de Santa Maria da Soledade (São Vendelino) contava com 26 alunos matriculados na escola, onde o imigrante Grunitzky**** exercia a função de professor público.(CAMPOS NETTO, p.488)
 "A Escola de Bom Princípio foi criada em 12 de outubro de 1867, consoante Lei Provincial nº 607. Em 1869 o seu quadro de professores era composto por: Maria J. Da Silva Machado – Montenegro – 30 alunos; Frederico Otto Grunitzky – Nossa Senhora da Soledade – 26 alunos; Catharina Schell – Bom Princípio – 29 alunos".
Em 1890, São Vendelino foi desafixado de Montenegro e anexado a São Sebastião do Caí passando a destinar os seus impostos ao novo município. À época, o armazém onde os imigrantes faziam as suas compras era a Venda de Secos e Molhados de Eisenbarth .(GANSWEIDT, p.18 e 43)
Em 08 de fevereiro de 1894, em virtude da nova  Estatística do Estado, o município de Montenegro foi dividido em quatro distritos: São João do Montenegro, Brochier, Harmonia e São Vendelino.(CAMPOS NETTO, p.252)
A sede do 5º Distrito permaneceu em São Vendelino até 11 de junho de 1897, quando foi transferida a Bom Princípio.
“Em 1890, Conde D'Eu (Garibaldi) era o 7º distrito de Montenegro. Suprimido esse distrito, com a criação do município de Garibaldi, só em 1º de setembro de 1903, foi restabelecido, dando-lhe por sede São Vendelino, que ainda conserva” (em 1924). (CAMPOS NETTO, p.455) Exerceram as funções de subintendentes do 7º Distrito, em Santa Maria da Soledade: Pedro Oppermann, (1903-1910) e Wenzel Wartha (1910- 1924).***** (CAMPOS NETTO, p.456)
           A denominação São Vendelino deve-se à origem de grande parte de seus pioneiros imigrantes, que migraram da cidade alemã de “Sankt Wendel”, que fica próximo a Tier, no Estado de “Saarland”, ao sudoeste da Alemanha, fronteira com a França. A cidade de Sankt Wendel tem vales e morros, semelhantes aos da subida da serra gaúcha.

         Desde sua emancipação São Vendelino, o “pequeno paraíso”, e “Sankt Wendel” da Alemanha, cidades coirmãs, firmaram um convênio de intercâmbios culturais com seus moradores.  

        O município emancipou-se de Bom Princípio no dia 29 de abril de 1988 e teve como primeiro prefeito Jair Baumgratz e vice-prefeito Celestino Schneider. O dialeto falado pelos moradores da região é o “Riograndenser Hunsrückisch”.
        São Vendelino realiza anualmente a Kerbfest, uma festa familiar teuto-brasileira.
* LANGENDONCK, p.114:“O futuro dos filhos estava quase sendo assegurado: o caçula ia casar com uma jovem alemã que, espero, me substitua junto a ele. O mais velho tinha a perspectiva de se ocupar em uma delimitação de terrenos virgens durante meses, talvez durante dois anos, de maneira que, não sendo minha presença indispensável nem para um nem para outro. Ocupei-me seriamente com minha partida [...]”.  
** PELLANDA, p.122: Os primeiros moradores de Piedade foram: Jacob Joner, João Luft, João Carard, Alberto Wiederkebes e Rodrigues da Fonseca.
*** PELLANDA, p.123: São Vendelino teve como iniciadores: João Felippe Scheid, Antonio Gassmann, Antonio Ludwig, Nicolau Lermann e Nicolau Neis e logo em seguida, vieram os colonos Adam Mensche, Peter John, Peter Stewernagel, Johannes Schneücker, Thomaz Ebert e Peter Auth. Schweizerthal teve seu início com os seguintes moradores: Antonio Andrioli, Xavier Angst, João Jegli e Felippe Engers.
**** Arquivo Histórico da Cúria Metropolitana  de Porto Alegre AHCHPA, livro 1 fl. 36, certidão de 11/09/1883, Igreja de São José do Hortêncio/RS. Otto Frederico Grunitzky era casado com Margaretha Bach, em 1883, um dos seus filhos, Jeseph, casou-se com Maria Titton Dietrich (filha de Agostinho e Antônia Rotta), na Igreja de Feliz. Cerca de vinte anos depois,  dois netos de Grunitzky contraíram núpcias com as duas filhas dos austríacos Wenzel Wartha e Khetrin Kellner (Wenzel era filho de José Wartha e Anna Catharina Festner e Khetrin, era filha de Miguel Kellner e de Maria Dörfler), meus bisavós e trisavós maternos, respectivamente. Obs.Otto Frederico Grunitzky, nasc.em 1823 (*1874 cat. SL ob. 1-167), polonês, filho de Caspar e Johanna Hübner (meus tataravós), era casado com Margretha, filha de Andreas Johannes e Gertrudes Schütz, todos de Theley/Alemanha. 
***** CAMPOS NETTO, p. 323: Wenzel Wartha foi eleito  com 2.382 votos, pelo eleitorado republicano.

              SÃO VENDELINO
                                    Rosa Maria B. Kaspary

Cidade cercada por altas montanhas
Micro paraíso recanto de paz.
As águas que cortam o centro ao meio
São do Forromeco arroio de histórias.

Na entrada se avista um cartão postal
Parece a Alemanha divina espelhada
Na irmã “Sankt Wendel” do Estado de “Saarland”
Que firmou convênio com São Vendelino.

A estrada RS Cento e Vinte e Dois
Ladeia os morros Canastra e Diabo
Os carros que passam nas curvas sinuosas
Roncando se afastam voltando o silêncio.

Os dardos de sol refletindo nos morros
Se juntam aos ecos das notas dos cantos
Entoados à noite pelos imigrantes
Cheios de saudade da terra querida.

Rosa Maria B. Kaspary
Pesquisadora e poetisa